Resenha: A morte de Ivan Ilitch

Resenha: A morte de Ivan Ilitch
De Liev Tolstói.

No romance, que possui uma narrativa envolvente, o autor problematiza questões referentes ao fim de vida e o respeito à autonomia do enfermo. Começa a obra nos contando um pouco da biografia de Ivan Ilitch, uma pessoa simples, membro do Tribunal de Justiça de sua cidade e que teve uma vida comum.

Após discorrer sobre a vida e os hábitos caros e supérfluos de Ivan, um casamento monótono e infeliz, o autor nos apresenta o ponto alto da trama. O dia em que Ivan Ilitch sofre uma queda acidental em sua nova casa enquanto dava retoques na sua reforma da sala. Acidente esse que desencadeou uma lesão profunda sem diagnóstico conhecido na época. É-nos exposto então o trágico curso evolutivo da doença, sua agonia e seu afastamento social até o fim de seus dias. Neste momento, o enredo desenvolve-se em torno de sua busca constante por um diagnóstico e cura de sua doença, uma suposta lesão nos rins ou no sistema digestivo.

Ivan Ilitch tem a doença continuamente agravada, o que ocasiona sua dependência familiar. Inicialmente sua esposa assume os cuidados, porém acaba cansando-se e terceiriza o seu cuidado para Gerasim, o ajudante do mordomo. Gerasim acaba por desenvolver um vínculo afetivo verdadeiro com Ivan, demonstrando um cuidado mais humano.

O livro nos expõe fatos contundentes e que muitas vezes não são percebidos dentro de uma rotina assistencial de hospital. Temos um paciente em agonia, agonia em não saber a causa de sua deterioração e agonia em seu sofrimento contínuo e progressivo. Nesse momento de dor, notamos no livro e contextualizando com a vida real, a perda de autonomia do paciente moribundo, onde o mesmo não exerce mais vontade e preferências no seu cuidado e hábitos cotidianos. São-lhe impostas rotinas rígidas sem seu consentimento ou o menor questionamento de suas vontades – muitas violações de seus direitos éticos em uma só ação-.

Vemos também uma clara alusão das famílias que tomam conta da situação, assumindo o cuidado e pensando na melhor consequência para si e não para o paciente. Existe a exclusão social desse moribundo, que passa a ser um peso e não ter mais uma participação em casa.

Atenho-me às questões de terminalidade do paciente. Acredito serem questões de muitas reflexões. Uma delas seria a antecipação de sua morte, no caso um ato de Eutanásia, o que levaria a cessar o sofrimento crônico e intenso de Ivan, que pode ser ampliado para pacientes com quadro similar. Não seria  a Eutanásia um ato de Beneficência, compaixão e respeito a dignidade neste caso?

Podemos destacar também os estágios evolutivos que ele apresenta frente à morte, que vai desde sua negação inicial até a sua conformação que refletiu no fim de sua agonia. Sempre que um doente terminal enfrenta um quadro de más notícias, apresenta cinco estágios perante a realidade. Choque inicial, negação e revolta, barganha, depressão e conformação ou aceitação.

Por fim, Ivan tem uma morte solitária e sofrida. Devemos ponderar sobre nossas práticas diárias, levando mais dignidade ao doente, respeitando sua autonomia e zelando pela integridade e integralidade de seu cuidado, afastando a dor, mas também dando atenção, praticando o acolhimento e a escuta. Ressignificando assim, seu fim.

Dito isso, considero essa uma ótima sugestão de leitura, especialmente porque se trata de um clássico de Liev Tolstói "A morte de Ivan Ilitch".


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