10 Livros de José Saramago que você precisa conhecer

10 Livros de José Saramago que você precisa conhecer

Recentemente publicamos aqui no blog uma resenha sobre o livro “Ensaio sobre a cegueira”,  de José Saramago e como 2022 é o ano de seu centenário, decidimos lançar uma lista de recomendações de suas obras. Falando um pouco do autor, é importante salientar que José Saramago, foi um escritor português, nascido em 16 de novembro de 1922 e que morreu em 28 de junho de 2010. Foi inegavelmente um dos maiores escritores de Portugal. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, o primeiro entregue a um escritor de língua portuguesa, em 1998, e também do Prêmio Camões em 1995.

Famoso pelo seu jeito único de escrever de principal característica realista, carregado de críticas sociais e a religião (Saramago era sabidamente ateu), com a defesa do protagonismo humano e sua intertextualidade principalmente em relação a autores portugueses clássicos, como Camões. Teve inclusive, duas de  suas obras adaptadas ao cinema, Ensaio sobre a cegueira e o Homem duplicado.

Introduzido então o autor, vamos então as 10 sugestões de leituras de seus livros mais aclamados pela crítica.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo

Sinopse: "Neste lugar, a que chamam Golgota, muitos são os que tiveram o mesmo destino fatal e outros muitos o virão a ter, mas este homem, nu, cravado de pés e mãos numa cruz, filho de José e de Maria, Jesus de seu nome, é o único a quem o futuro concederá a honra da maiúscula inicial, os mais nunca passarão de crucificados menores."

Na Bíblia, quatro são os narradores da Boa Nova - significado de "Evangelho" que Jesus Cristo veio trazer ao mundo: são Mateus, são Marcos, são Lucas e são João. A partir deles, a história do filho do carpinteiro José e de sua mulher Maria foi narrada infinitas vezes, e é conhecida por todos. Nesta reinterpretação feita pelo Prêmio Nobel José Saramago, ela adquire novas forças simbólicas e parece estar sendo contada pela primeira vez.

O Homem Duplicado

Sinopse: O que você faria se descobrisse que tem um sósia, dono do mesmo corpo, do mesmo rosto, da mesma voz? É o que acontece com o professor de história Tertuliano Máximo Afonso. Neste inquietante romance sobre a perda da identidade na sociedade globalizada, Tertuliano se vê lançado numa crise existencial ao descobrir que tem um duplo.

O professor de história Tertuliano Máximo Afonso descobre, certo dia, que é um homem duplicado. Ao assistir a um vídeo, ele se reconhece em outro corpo, idêntico ao dele próprio: um dos atores do filme é seu sósia.

Os desdobramentos dessa história são imprevisíveis. Mas este romance de José Saramago, esclareça-se logo, não tem nada a ver com clonagem ou outras experiências de laboratório. O que está em jogo é a perda de identidade numa sociedade que cultiva a individualidade e, paradoxalmente, estabelece padrões estreitos de conduta e de aparência.

Ensaio Sobre a Cegueira

Sinopse: Um motorista, parado no sinal, subitamente se descobre cego. E o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos vão se descobrir reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.

O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.

Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, face à pressão dos tempos e ao que se perdeu uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

Leia nossa resenha através do link.

Memorial do Convento

Sinopse: Brilhante reinvenção do romance histórico, Memorial do Convento consagrou José Saramago internacionalmente e o tornou um dos nomes fundamentais das letras contemporâneas.

No epicentro desta história está a construção do Palácio Nacional de Mafra, também conhecido como Convento. O monarca absolutista D. João V, cumprindo uma promessa, ordenou que o edifício fosse erguido no início do século XVIII, em pleno processo colonial, à custa de uma imensa quantidade de ouro e diamantes vindos do Brasil, além do sangue de milhares de operários. Dentre eles, havia um certo Baltasar, da estirpe de Sete-Sóis, inválido da mão esquerda depois de uma guerra, apaixonado por Blimunda, uma jovem dotada de poderes extraordinários. Indivíduos habitualmente não observados pela dita história oficial, mas que no entanto constituem seu tecido mais delicado e essencial.

Memorial do Convento - publicado pela primeira vez em 1982 - tornou o português José Saramago um nome internacionalmente aclamado da literatura contemporânea, graças à mistura entre narrativa histórica e história individual. Embora esteja firmemente assentado na tradição da melhor ficção de seu país, a obra cativaria leitores das mais diversas culturas.

Como em História do cerco de Lisboa e A jangada de pedra, para citar apenas alguns dos celebrados romances do autor, a finíssima ironia na observação de fatos históricos e o elegante tecido ficcional estão a serviço de uma fabulação sempre brilhante, moderna e criticamente devastadora do ponto de vista social. O resultado é um romance sobre o embate entre a dureza do individualismo e a delicadeza dos sonhos coletivos. Com sua abordagem absolutamente inovadora do romance histórico - um gênero que já esteve a serviço dos heróis nacionais e suas poses engessadas -, este Memorial do Convento recupera as ilusões, fantasias e aspirações de um Portugal que se quis grande e eterno, ainda que frágil e delicado.

As Intermitências da Morte

Sinopse: Depois de séculos sendo odiada pela humanidade, a morte resolve pendurar o chapéu e abandonar o ofício. O acontecimento incomum, que a princípio parece uma benção, logo expõe as intrincadas relações entre Igreja, Estado e a vida cotidiana.

"Não há nada no mundo mais nu que um esqueleto", escreve José Saramago diante da representação tradicional da morte. Só mesmo um grande romancista para desnudar ainda mais a terrível figura.

Apesar da fatalidade, a morte também tem seus caprichos. E foi nela que o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel da Literatura buscou o material para seu novo romance, As intermitências da morte. Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema.

Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não para de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja".

Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?

Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.

O Ano da Morte de Ricardo Reis

Sinopse: Depois de uma temporada de autoexílio no Brasil, o heterônimo de Fernando Pessoa está de volta a Lisboa. O ano é 1936, e ele tem de pôr de lado sua índole contemplativa para poder se situar em meio aos acontecimentos políticos de uma Europa em ebulição.

A notícia da morte de Fernando Pessoa, telegrafada de Lisboa pelo companheiro de heteronímia Álvaro de Campos, faz Ricardo Reis decidir-se a retornar imediatamente a Portugal. Como logo percebem os funcionários do hotel onde ele se hospeda na noite tempestuosa da chegada a Lisboa, Reis possui um temperamento formal e comedido. Gosta de fechar-se em seu quarto, aparecendo quase somente nos horários das refeições ou nas saídas e chegadas de suas perambulações solitárias pela cidade. Enquanto espera tranquilamente a hora de ir juntar-se ao seu criador, assiste pelos jornais ao espetáculo do mundo e às vezes compõe versos dedicados à camareira do hotel ou a uma jovem hóspede com a mão esquerda paralisada.

As fronteiras habituais entre realidade e literatura dissolvem-se de modo impactante nesta amostra emblemática da ficção de José Saramago. O ano da morte de Ricardo Reis é considerado por muitos críticos seu melhor romance e o livro-chave que o projeta entre os maiores prosadores da língua portuguesa. Aproveitando habilmente o fato de Fernando Pessoa não ter fixado em seus escritos a data da morte de Reis, o autor encena os últimos meses do poeta das musas abstratas com sua habitual maestria narrativa.

Ensaio Sobre a Lucidez

Sinopse: Num país imaginário, um fenômeno eleitoral inusitado detona uma séria crise política: ao término das apurações, descobre-se um espantoso número de votos em branco - uma "epidemia branca" que remete ao Ensaio sobre a cegueira (1995), do mesmo autor. Neste romance, José Saramago faz uma alegoria sobre a fragilidade do sistema político e das instituições que nos governam.

Numa manhã de votação que parecia como todas as outras, na capital de um país imaginário, os funcionários de uma das seções eleitorais se deparam com uma situação insólita, que mais tarde, durante as apurações, se confirmaria de maneira espantosa.

Aquele não seria um pleito como tantos outros, com a tradicional divisão dos votos entre os partidos "da direita", "do centro" e "da esquerda"; o que se verifica é uma opção radical pelo voto em branco. Usando o símbolo máximo da democracia - o voto -, os eleitores parecem questionar profundamente o sistema de sucessão governamental em seu país.

É desse "corte de energia cívica" que fala Ensaio sobre a lucidez (2004). Não apenas no título José Saramago remete ao seu Ensaio sobre a cegueira (1995): também na trama ele retoma personagens e situações, revisitando algumas das questões éticas e políticas abordadas naquele romance.

Ao narrar as providências de governo, polícia e imprensa para entender as razões da "epidemia branca" - ações estas que levam rapidamente a um devaneio autoritário -, o autor faz uma alegoria da fragilidade dos rituais democráticos, do sistema político e das instituições que nos governam.

O que se propõe não é a substituição da democracia por um sistema alternativo, mas o seu permanente questionamento. É pela via da ficção que José Saramago entrevê uma saída para esse impasse - pois é a potência simbólica da literatura (território em que reflexão, humor, arte e política se entrosam) que se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo.

A Caverna

Sinopse: Inspirado num dos mais conhecidos mitos platônicos, A caverna é uma história de gente simples: um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano. Juntos, eles encontram a lucidez em um mundo onde os prisioneiros da modernidade, iludidos, confundem as sombras com o real.

A caverna é uma história de gente simples: um oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano. Esses personagens circulam pelo Centro, um gigantesco monumento do consumo onde os moradores usam crachá, são vigiados por câmeras de vídeo e não podem abrir as janelas de casa.

É no Centro que trabalha o guarda Marçal. Era para o Centro que seu sogro, o oleiro Cipriano, vendia a louça de barro que fabricava artesanalmente na aldeota em que vive - agora, os clientes do Centro preferem pratos e jarros de plástico. Sem outro ofício na vida, Cipriano perde a razão de viver. E a convite do genro, muda-se para o Centro, essa verdadeira gruta onde milhares de pessoas se divertem, comem e trabalham sem verem a luz do sol e da lua. Enquanto isso, embaixo dos diversos subsolos, os funcionários do Centro descobrem uma estranha caverna. Driblando a vigilância, Cipriano consegue entrar lá dentro. O que descobre é aterrador.

Nesta versão moderna do mito da caverna de Platão, José Saramago faz uma apresentação sutil da face cruel do mundo capitalista e tecnológico.

Levantado do Chão

Sinopse: Romance indispensável do Nobel José Saramago, Levantado do chão acompanha a luta de um povo que tenta superar séculos de opressão e desigualdade social em uma das regiões mais sofridas de Portugal.

Esta é a história dos Mau-Tempo, família de lavradores do Alentejo cuja trajetória, do início do século XX até a década de 1970, é contada com o arsenal dos melhores fabulistas e o olhar generoso dos grandes críticos sociais. É também a narrativa das mudanças que um país saudoso de poder e glória atravessaria ao longo do tempo; e da luta de muitos de seus cidadãos oprimidos para assegurar uma vida mais digna no campo e na cidade.

Publicado originalmente em 1980 e logo aclamado em seu país, Levantado do chão é uma dessas obras incontornáveis na luminosa produção do português José Saramago, um dos grandes narradores do nosso tempo. A história social e a observação poética e particularizada da vida humana ganha aqui contornos de uma espécie de épico da vida ordinária - mas jamais comum, uma vez que cada um de seus personagens reluz com o brilho singular de uma das mais poderosas criações ficcionais das últimas décadas.

A história das terríveis condições de trabalho no campo e suas diversas mudanças ao longo do tempo - graças à luta política de natureza antifascista, mas também a muito sofrimento e privações em nome de um futuro mais esperançoso - é contada numa prosa que não tem receio de se mostrar partidária de um dos lados. Mas não apenas isso: a beleza faz do texto de Saramago algo de encantatório, demonstrando o enorme poder narrativo de um escritor que hoje é um dos clássicos indiscutíveis da ficção de língua portuguesa.

História do Cerco de Lisboa

Sinopse: A história da tomada de Lisboa aos mouros no ano de 1147 e a crônica de um inesperado encontro amoroso na Lisboa de hoje: duas narrativas, tecidas e entretecidas de maneira brilhante, que fazem da História do cerco de Lisboa uma densa e fascinante meditação sobre a natureza e as relações entre a ficção e a história, o vivido e o narrado. Um dos mestres da literatura portuguesa contemporânea, Saramago explora neste livro as possibilidades do romance enquanto meio de recriar o passado e o presente.

Gostou do conteúdo deste post? Leia mais através dos links abaixo.